Em torno da humildade
De quando em quando, reflitamos em nossa posição de
instrumentos, para que a vaidade não nos assalte.
Obviamente, não queremos depreciar a
nossa condição de instrumentalidade.
Se necessitamos do concurso de um
violino, na execução de uma partitura, não podemos substituí-lo por outro
agente musical; há de ser um violino e, tanto quanto possível, dos melhores.
Ninguém nega a importância do
instrumento nessa ou naquela realização; no entanto, convém recordar o
imperativo de humildade que nos cabe desenvolver, diante do Senhor, que se
serve de nós, segundo as nossas capacidades, na edificação do Reino de Deus.
Máquinas poderosas efetuam hoje o
serviço de muitos homens; todavia, na direção delas, estão operários
especializados que, a seu turno, se encontram orientados por técnicos
competentes.
Pessoa alguma consegue, a rigor,
realizar, por si só, obra estável e prestante.
O progresso comum é comparável a
edifício em cujo levantamento cada um de nós tem a parte de trabalho que lhe
corresponde, e não se diga que, pelo fato de ser a nossa atividade, muitas
vezes, suposta pequenina, venha, por isso, a ser menos importante.
O picareteiro, suando na formação dos
alicerces, assegura bases ao serviço do pedreiro, no desdobramento da
construção.
Cada tarefeiro está investido de
autoridade respeitável e diferente, na função que lhe é atribuída, desde que
lhe seja leal, mas não pode esquecer que constitui em si e por si tão-somente
uma peça na obra – toda vez que a obra seja examinada em sua feição total.
Imaginemos uma flor que,
superestimando a própria beleza, resolvesse desligar-se da fronde para produzir
o fruto sozinha. Certamente, seria o agrado para os olhos de alguém, durante
algumas horas, mas acabaria murchando decepcionada, porquanto, para alcançar as
finalidades do seu destino, deve ser fiel ao tronco que a sustenta.
Cultivemos a humildade, aprendendo a
valorizar o esforço de nossos irmãos. Saibamos reconhecer, conscientemente, que
todos somos necessitados uns dos outros para atingir o alvo a que nos propomos,
nas trilhas da evolução, mantendo-nos eficientes e tranquilos nas obrigações a
que fomos chamados, sem fugir às responsabilidades que nos competem, sob a
falsa ideia de que somos mais virtuosos que os outros, e sem invadir a seara de
nossos companheiros com o vão pretexto de sermos enciclopédicos.
Humildade não é omitir-nos e sim
conservar-nos no lugar de trabalho em que fomos situados pela Sabedoria Divina,
cumprindo os nossos deveres, sem criar problemas, e oferecendo à construção do
bem de todos o melhor concurso de que sejamos capazes.
Emmanuel
Livro: Encontro Marcado. Francisco
Cândido Xavier / Emmanuel
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